O último livro que li foi “O sétimo selo” de José Rodrigues dos Santos e,
ainda que seja um romance, não pude deixar de constatar com agrado que o livro está recheado de detalhes sobre dois temas fundamentais estreitamente ligados: O fenómeno do aquecimento global e, como não podia deixar de ser, o fim do petróleo como fonte de energia barata. Relativamente a este último tema é verdade que em muitos dos países produtores de petróleo já foi atingido o pico de produção à alguns anos e que os níveis de produção só estão a ser mantidos recorrendo a maquinaria sofisticada, maquinaria essa que tem mascarado o progressivo acréscimo de dificuldade em extrair petróleo. Dentro de alguns anos as reservas de petróleo estarão tão baixas que a produção de petróleo decairá abruptamente e com uma demanda crescente deste produto, o preço atingirá rapidamente os 3 dígitos por barril e então será o caos para podermos fazer o nosso dia-a-dia como até aqui temos feito. Será inviável deslocarmo-nos para o emprego, será inviável termos luz em nossas casas, será extremamente difícil o acesso a bens que até aqui os considerámos um dado adquirido, a fome e a pobreza serão um dado adquirido, pilhagens e a desordem pública estarão na ordem do dia. Se por um lado a falta de petróleo poderá levar-nos ao caos, não deixa de ser menos verdade que o continuado uso do petróleo irá levar-nos ao fim, senão vejamos, a continua emissão de gases de efeito de estufa como é o caso do CO2 irá levar-nos invariavelmente ao aquecimento global que trará o degelo das calotes polares com o consequente aumento do nível das aguas que conduzirá à inundação de muitas zonas costeiras. Como consequências adicionais haverá desequilíbrios nos ecossistemas marinhos, haverá um crescimento exponencial da área ocupada por desertos com a consequente aumento dos fluxos migratórios para zonas mais prósperas, ideologia de extrema-direita terá mais receptividade nos países de “acolhimento”, isto tudo para não falar nas catástrofes naturais cada vez mais comuns e em locais onde antes não se haviam registado fenómenos semelhantes. Tanto por questões ambientais como por razões de funcionamento da sociedade tal como a como a conhecemos actualmente urge encontrar uma alternativa às fontes de energia fósseis, uma alternativa inesgotável e ao mesmo tempo com um mínimo de impacte ambiental. Actualmente não existe na calha para substituir o petróleo uma fonte de energia com as características pretendidas para usar em larga escala. A nível teórico o hidrogénio é de longe a fonte de energia mais adequada, não tem impacte sobre o ambiente visto a sua combustão conduzir à formação de vapor de água, tem maior capacidade energética que o petróleo, e por fim é renovável, sendo obtido hidrogénio através da electrólise da água. O problema reside neste último passo, fazer a electrólise da água para reciclagem do H2 pois para tal tem que se gastar energia e o recurso a energias renováveis para tal seria imperativo. Enquanto não se descobre um meio barato e sustentável de produzir hidrogénio o uso desta fonte de energia estará hipotecado. Portanto outras fontes de energia terão que surgir como alternativa nem que seja a título provisório. Bons candidatos a esse papel são o gás natura ou até mesmo os biocombustíveis, são ambos menos poluentes que o petróleo mas não são isentos de problemas, se por um lado o gás natural não é inesgotável, o biocombustível levará invariavelmente ao aumento do preço de cereais e outros alimentos. A nós cabe-nos a tarefa de racionalizar os gastos energéticos tal como estar sensibilizados para o investimento na investigação da viabilidade do hidrogénio ou outras fontes de energia alternativas.
18/11/07
Recursos energéticos vs aquecimento global
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